sexta-feira, 28 de agosto de 2015

E a burra sou eu?

Como dizia o Scolari: "E o burro sou eu?". Neste caso a burra. E sim, sou eu, fui eu.
Desde o ressabiamento relativamente ao meu casamento - foi aí que tudo começou - que decidi que a minha chefe e, consequentemente a minha empresa, não me mereciam. Em Março recebi a notícia da renovação do contrato por mais um ano mas isso em nada me fez mudar de ideias. Nos meus sonhos mais egoístas, quanto mais estragos provocasse no trabalho da minha chefe com a minha saída, melhor. Podia ser que ela aí me valorizasse, que reconhecesse que sem mim teria que trabalhar a sério em vez de brincar aos chefes e passar a vida a encaminhar-me os e-mails dela com ordens tão pequenas quanto irritantes como: "arquiva na pasta W, articula com X, responde Y, envia Z".
Ontem, durante a minha segunda semana de férias, leio um e-mail dela para a equipa a dizer que está grávida. De gémeos. Só a mim. Estará de baixa até dia 20/09 porque "estou cansadíssima e com enjoos e acreditem que não me queriam aí ainda mais rabujenta do que o costume". Se já está de baixa e ainda nem está grávida de três meses, há-de passar a gravidez toda de baixa, certamente, até porque já tem 35 anos. Entretanto, aqui a mula - ou burra, adequa-se mais - também vai ter trabalho a dobrar. Vou fazer o meu trabalho, o dela, e ainda vou coordenar o trabalho da estagiária. Tudo isto com o meu ordenado da treta. Mais do que nunca tenho que me pôr na alheta. E rápido.
Ontem enervei-me tanto com esta merda que à noite estava com uma infecção urinária. É o karma. De manhã chamei-lhe tantos nomes e disse tantas coisas horríveis que o E. estava boquiaberto. À noite fui presenteada com uma bela dor aguda na bexiga. Agonizei durante horas, sentada na sanita com a caneca de chá de cavalinha na mão, e só consegui deitar-me por volta das 1h30, com um analgésico no bucho. Agora estou no Centro de Saúde e, acreditem, não há maior castigo. Desta empresa já levo duas infecções urinárias e uma dioptria no olho esquerdo. Muito agradecida.

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