quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Só peço força
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
"O que tiver que ser, será"
As palavras sinceras e de conforto da M. relativamente a este assunto ajudaram bastante. Até ver é a única amiga com quem me abro a 100%, sem máscaras, sem maquilhagem. É a amiga que me quer genuinamente bem a mim e ao E., que não compete comigo, que me compreende.
Traçámos um plano. Até ao meu próximo aniversário, vou estar descontraída. Não vou olhar obssessivamente para o calendário - até porque não me vale de muito - e vou tomar aquilo que me mandaram tomar. Depois logo verei. Como diz a M., como quem fala descontraídamente de uma viagem ao México na época das monções: "o que tiver que ser, será".
sábado, 22 de outubro de 2016
Aconteceu
Deixem-me chorar, deixem-me gritar, deixem-me sentir revoltada, assustada, confusa, triste. Parem de me dizer que isto não significa nada, que não é grave, que está tudo bem, que há quem tenha isto e consegue. PAREM. Parem de fingir que isto é algo que alguma vez alguma mulher não se importaria de ouvir.
E sinto-me sozinha, tão mas tão sozinha. Não apenas neste sofá às escuras. Tenho que fingir que está tudo bem, tenho que parar de pensar nisto, não "passar o dia todo a falar deste assunto". O E. já se sente pressionado e só sabemos disto há dois dias. Preciso de fingir que está tudo bem. Caso contrário, jamais conseguiremos.
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
It's our curse
Choro neste momento porque me sinto o elo mais fraco. Estou muito cansada e sucumbi a comentários mesquinhos. Tal como num tribunal, na vida a dois, tudo o que dizemos ou fazemos pode ser usado contra nós. Insinuam que estamos gordas e temos zero força de vontade porque jantámos McDonald's. Insinuam que somos umas falhadas e nunca estamos bem se nos queixamos de algo no nosso novo trabalho. Insinuam que não nos sabemos organizar se nos esquecemos, por exemplo, de marcar a depilação antes de um casamento. E como a vida é mais madrasta com as mulheres do que com os homens, há muito a ser usado contra nós.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
"Tens todo o tempo do mundo"
Claro que tenho. Saio de casa de
manhã às 8:40,
depois de arranjar marmitas que implicam descascar fruta e embrulhar sandes em
saco próprio, apanho uma horinha de puro prazer (vulgo trânsito) na estrada
mais perigosa de Portugal. Trabalho que nem um cão o dia todo sem pausas para
lanches, cafés, cigarros, telefonemas, muitas vezes WC e descanso dos
olhos. Tenho que lidar com colegas que independentemente da idade e do sexo
parecem estar sempre com a maldita TPM.
Depois de sair do trabalho, entre
as 19:30 e
as 20:00,
por uma estrada estreita e escura que nem breu, frequentemente com galhos
soltos por todo o lado e debaixo de chuva e nevoeiro, chego à selva urbana.
Quando finalmente chego a casa [com os nervos em franja por mais uma horinha
nessas maravilhosas estradas que são o IC19 e a Segunda Circular, onde parece
ser sempre hora de ponta], entre as 20:30 e
as 21:00,
o que iria eu fazer com o meu "tempo de mulher", com "todo o
tempo do mundo" senão as desejadas e merecidas lides domésticas? É para
isso que cá estamos ou não?
No topo da minha lista não podia
deixar de figurar as ida ao Pingo Doce em que demoro cerca de 15 minutos a
correr para trazer tudo o que acho que preciso [esqueço-me sempre de algo
importante] e depois demoro o mesmo tempo [senão mais] na fila para
pagar.
Remover o calcário dos vidros da
banheira e do poliban foi um prazer recentemente descoberto mas que tão cedo
não abandonará o podium. Mas o que é pura adrenalina é, sem dúvida, estender
roupa após a meia-noite. Com o meu 1.64m, é um mimo dobrar lençóis e cobertores
ensopados sozinha, para os pendurar numa estrutura minúscula de metal a que
muitos chamam de estendal. Quase tão bom como fazer a cama de lavado sozinha.
Almoço para amanhã? Quem precisa disso? Não é que eu não tenha tempo...
é 01:20 e
eu tenho "todo o tempo do mundo"... mas vou-me ficar por
uma sopa na empresa.