quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Só peço força

A sério? Até a H. Desde setembro. Ultimamente o mundo conspira contra mim. E quanto mais acho que não posso, que não vou conseguir, mais quero. E é tão duro! É como quando se aprende uma palavra nova: vêmo-la em todo o lado. Para já só peço força. Entretanto, estou na merda. Vou dormir.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

"O que tiver que ser, será"

Quase a um mês de ter recebido aquela notícia, estou mais calma. Quer dizer, ainda hoje chorei. Não queria mesmo nada mas foi impossível evitar. Estava a tentar não fixar a médica, a engolir em seco a ver se aquele sufoco me passava mas assim que tive que pronunciar uma palavra, o choro que já se adivinhava aconteceu. Ainda assim, acho que posso dizer que estou mais calma hoje.
As palavras sinceras e de conforto da M. relativamente a este assunto ajudaram bastante. Até ver é a única amiga com quem me abro a 100%, sem máscaras, sem maquilhagem. É a amiga que me quer genuinamente bem a mim e ao E., que não compete comigo, que me compreende.
Traçámos um plano. Até ao meu próximo aniversário, vou estar descontraída. Não vou olhar obssessivamente para o calendário - até porque não me vale de muito - e vou tomar aquilo que me mandaram tomar. Depois logo verei. Como diz a M., como quem fala descontraídamente de uma viagem ao México na época das monções: "o que tiver que ser, será".

sábado, 22 de outubro de 2016

Aconteceu

Estou a viver o meu maior pesadelo. Aconteceu. Foi há dois dias. Uma ecografia e a cara da médica a olhar para o maldito ecrã. Eu li a cara dela, a cara dela foi um certificado daquilo que eu, desde sempre, soube. E não me vou esquecer de como me consegui aguentar apesar de as lágrimas cairem, (nada as podia amparar). Não sei como, não sei porquê, mas sempre soube que ia acontecer. Porquê? Porquê eu? Porquê a mim? Logo eu que sempre respirei saúde. E afinal isto nasceu comigo. Sinto que o mundo está a desabar. Sinto-me a sufocar, sinto-me perdida, sinto-me tão perdida. E o pesadelo intensifica-se. Isto vai destruir o nosso casamento? Por que desejo tão fortemente isto agora? É porque sei que vai ser difícil de alcançar?
Deixem-me chorar, deixem-me gritar, deixem-me sentir revoltada, assustada, confusa, triste. Parem de me dizer que isto não significa nada, que não é grave, que está tudo bem, que há quem tenha isto e consegue. PAREM. Parem de fingir que isto é algo que alguma vez alguma mulher não se importaria de ouvir.
E sinto-me sozinha, tão mas tão sozinha. Não apenas neste sofá às escuras. Tenho que fingir que está tudo bem, tenho que parar de pensar nisto, não "passar o dia todo a falar deste assunto". O E. já se sente pressionado e só sabemos disto há dois dias. Preciso de fingir que está tudo bem. Caso contrário, jamais conseguiremos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

It's our curse

Engraçado como antes não me passava pela cabeça que uma relação amorosa pudesse ser um jogo de (demonstração de) poder. Antes não imaginava que os amantes pudessem (ter que) competir. Achava que se completavam e protegiam, que remavam sempre os dois na mesma direção. E normalmente remam. Mas há sempre um que quer o melhor remo para ele. Ou o maior. Ou quer até mesmo os dois remos, para poder ser ele a decidir qual a direção que ambos irão seguir. É bom ser amada mas respeitada e admirada revela-se tão ou mais importante.
Choro neste momento porque me sinto o elo mais fraco. Estou muito cansada e sucumbi a comentários mesquinhos. Tal como num tribunal, na vida a dois, tudo o que dizemos ou fazemos pode ser usado contra nós. Insinuam que estamos gordas e temos zero força de vontade porque jantámos McDonald's. Insinuam que somos umas falhadas e nunca estamos bem se nos queixamos de algo no nosso novo trabalho. Insinuam que não nos sabemos organizar se nos esquecemos, por exemplo, de marcar a depilação antes de um casamento. E como a vida é mais madrasta com as mulheres do que com os homens, há muito a ser usado contra nós.
Como diz a Lana del Rey:
"This is what makes us girls, we all look for heaven and we put our love first, somethin' that we'd die for, it's our curse, don't cry about it, don't cry about it".

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

"Tens todo o tempo do mundo"

Claro que tenho. Saio de casa de manhã às 8:40, depois de arranjar marmitas que implicam descascar fruta e embrulhar sandes em saco próprio, apanho uma horinha de puro prazer (vulgo trânsito) na estrada mais perigosa de Portugal. Trabalho que nem um cão o dia todo sem pausas para lanches, cafés, cigarros, telefonemas,  muitas vezes WC e descanso dos olhos. Tenho que lidar com colegas que independentemente da idade e do sexo parecem estar sempre com a maldita TPM.

Depois de sair do trabalho, entre as 19:30 e as 20:00, por uma estrada estreita e escura que nem breu, frequentemente com galhos soltos por todo o lado e debaixo de chuva e nevoeiro, chego à selva urbana. Quando finalmente chego a casa [com os nervos em franja por mais uma horinha nessas maravilhosas estradas que são o IC19 e a Segunda Circular, onde parece ser sempre hora de ponta], entre as 20:30 e as 21:00, o que iria eu fazer com o meu "tempo de mulher", com "todo o tempo do mundo" senão as desejadas e merecidas lides domésticas? É para isso que cá estamos ou não?

No topo da minha lista não podia deixar de figurar as ida ao Pingo Doce em que demoro cerca de 15 minutos a correr para trazer tudo o que acho que preciso [esqueço-me sempre de algo importante] e depois demoro o mesmo tempo [senão mais] na fila para pagar. 

Remover o calcário dos vidros da banheira e do poliban foi um prazer recentemente descoberto mas que tão cedo não abandonará o podium. Mas o que é pura adrenalina é, sem dúvida, estender roupa após a meia-noite. Com o meu 1.64m, é um mimo dobrar lençóis e cobertores ensopados sozinha, para os pendurar numa estrutura minúscula de metal a que muitos chamam de estendal. Quase tão bom como fazer a cama de lavado sozinha. Almoço para amanhã? Quem precisa disso? Não é que eu não tenha tempo... é 01:20 e eu tenho "todo o tempo do mundo"... mas vou-me ficar por uma sopa na empresa.