domingo, 17 de maio de 2015

Stepford wife

Hoje quero ser uma stepford wife! Desde que o F. se foi embora - depois de ter passado três dias comigo - aspirei a casa, limpei espelhos e mesa de vidro, lavei o chão da cozinha e lavei o caixote do lixo da cozinha (numa última tentativa desesperada de aniquilar o cheiro a cachimbo que fica sempre pela casa depois de o F. cá estar). Com a (pouca) energia que ainda me resta vou ao Pingo Doce comprar coisas para um snack de boas-vindas. É bom que tenhas trazido um íman de Roma como deve ser, E.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Multitasker das amizades

Às vezes sou invadida por uma sensação de vazio, já sentida no passado, que é obviamente despropositada para uma pessoa já graúda como eu, e que consiste em: queria ser a melhor amiga de alguém.
A verdade é que acho que não sou. Acho que o que me acontece em termos de amizade é o mesmo que me acontece em termos profissionais: consigo ser boa q.b. em tudo o que faço mas não sinto que seja a melhor em nada. É como se a minha especialidade fosse a de não ter especialidade. Sou uma multitasker das amizades: consigo gerir todas muito bem - envio postais a todas as amigas quando estou de férias, não me esqueço do aniversário de nenhuma, nunca permito que o contacto esmoreça - mas como são muitas amizades para gerir ao mesmo tempo, não consigo especializar-me em nenhuma delas.
Mas chega de vazios por hoje. Daqui  a duas semanas eu e o E. estaremos a voar para os Açores! Can't wait.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A minha chefe é uma besta

É pena que nos últimos tempos só venha cá quando estou num estado alterado como o de hoje. É como se nos bons momentos não quisesse desperdiçar nem um segundo em frente ao computador e nos maus momentos sinta necessidade de escrever tudinho.
Estou farta. A minha chefe é uma besta [desculpem-me o cliché]. A única coisa que ela sabe fazer bem é delegar, reencaminhar e-mails e apontar erros microscópicos aos outros (a mim, em especial). É a mestre da micro-gestão de merda. É o perfeito exemplo de alguém que está numa posição em que nem ela própria sabe como é que ali foi parar. Aconteceu. A empresa cresceu e ela, que andava por ali, tornou-se chefe. O único mérito dela é ter chegado antes dos outros. Ah, e a capacidade dela de transmitir 300 palavras por segundo. Stressadinha.
Sei que nunca vou encontrar outra chefe como a C. [já dizia o provérbio que "não há luar como o de Janeiro nem amor como o primeiro"] mas esperava encontrar um dia um/a chefe que, mesmo não sendo uma fonte de inspiração, fosse menos besta. Alguém que quando vai de férias e me envia, por vez dela, a uma reunião em Guimarães, saiba pelo menos a que reunião é que eu vou. É melhor eu nem começar... hoje estou com uma esgazieira de nervos, que até acabei de inventar uma palavra.
Sonho com o dia em que lhe digo "amanhã vou sair da empresa" e ela fica a braços com todo o trabalho que deixarei por fazer. Gosto de imaginar que nesse dia ela já não se há-de ir embora às 18h00 a correr, enquanto diz baixinho "hoje tenho aula de violino" ou "hoje tenho que ir ao mecânico com o carro" ou "hoje tenho dentista". Ela sai sempre à horinha certa, no matter what! Só se a amarrassem à cadeira é que não saía e mesmo assim tenho dúvidas se não ia com a cadeira atrás. Queria mesmo que ela experimentasse um pouco daquilo que sinto quando toda a gente vai embora às 18h00 e eu fico ali, sozinha e angustiada, com as milhares de urgências que ainda não consegui tratar e que ela no dia seguinte me relembra, aos guinchos, que eram prioridades. Infelizmente a minha conta bancária ainda tem muito presente as indemnizações que tive que pagar às minhas últimas duas empresas por sair sem dar o aviso com o tempo necessário.  Resta saber se na altura a minha sede de vingança falará mais alto que o dinheiro.
Agora vou é estrelar um ovo e devorá-lo [rezando para que ele não se instale em nenhuma parte do meu corpo... não é assim que vou baixar dos 65kg].