Como dizia o Scolari: "E o burro sou eu?". Neste caso a burra. E sim, sou eu, fui eu.
Desde o ressabiamento relativamente ao meu casamento - foi aí que tudo começou - que decidi que a minha chefe e, consequentemente a minha empresa, não me mereciam. Em Março recebi a notícia da renovação do contrato por mais um ano mas isso em nada me fez mudar de ideias. Nos meus sonhos mais egoístas, quanto mais estragos provocasse no trabalho da minha chefe com a minha saída, melhor. Podia ser que ela aí me valorizasse, que reconhecesse que sem mim teria que trabalhar a sério em vez de brincar aos chefes e passar a vida a encaminhar-me os e-mails dela com ordens tão pequenas quanto irritantes como: "arquiva na pasta W, articula com X, responde Y, envia Z".
Ontem, durante a minha segunda semana de férias, leio um e-mail dela para a equipa a dizer que está grávida. De gémeos. Só a mim. Estará de baixa até dia 20/09 porque "estou cansadíssima e com enjoos e acreditem que não me queriam aí ainda mais rabujenta do que o costume". Se já está de baixa e ainda nem está grávida de três meses, há-de passar a gravidez toda de baixa, certamente, até porque já tem 35 anos. Entretanto, aqui a mula - ou burra, adequa-se mais - também vai ter trabalho a dobrar. Vou fazer o meu trabalho, o dela, e ainda vou coordenar o trabalho da estagiária. Tudo isto com o meu ordenado da treta. Mais do que nunca tenho que me pôr na alheta. E rápido.
Ontem enervei-me tanto com esta merda que à noite estava com uma infecção urinária. É o karma. De manhã chamei-lhe tantos nomes e disse tantas coisas horríveis que o E. estava boquiaberto. À noite fui presenteada com uma bela dor aguda na bexiga. Agonizei durante horas, sentada na sanita com a caneca de chá de cavalinha na mão, e só consegui deitar-me por volta das 1h30, com um analgésico no bucho. Agora estou no Centro de Saúde e, acreditem, não há maior castigo. Desta empresa já levo duas infecções urinárias e uma dioptria no olho esquerdo. Muito agradecida.
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Como é que chegámos aqui, hoje, a isto?
Como é que chegámos aqui, hoje, a isto?
Nós, que nos mantivemos firmes quando todos os outros desmoronaram.
Nós, que somos pedras de mármore, quando todos os outros são pó.
Como é que chegámos aqui, hoje, a isto?
Cada minuto assim é uma hora e cada hora assim é um dia e dói, dói tanto!
Diz-me que não sentes o que disseste,
Diz-me que amanhã vamos estar bem e vais-me envolver no teu abraço,
Diz-me que amanhã não vou sentir esta raiva.
Diz-me: como é que chegámos aqui, hoje, a isto?
Nós, que nos mantivemos firmes quando todos os outros desmoronaram.
Nós, que somos pedras de mármore, quando todos os outros são pó.
Como é que chegámos aqui, hoje, a isto?
Cada minuto assim é uma hora e cada hora assim é um dia e dói, dói tanto!
Diz-me que não sentes o que disseste,
Diz-me que amanhã vamos estar bem e vais-me envolver no teu abraço,
Diz-me que amanhã não vou sentir esta raiva.
Diz-me: como é que chegámos aqui, hoje, a isto?
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
35 days later... the same old shit
Acabei de fazer as contas. Faz hoje 35 dias que aguardo uma decisão que mudaria a minha vida. A nossa vida. Fuck.
Calendário do advento:
Segunda-feira, 30/03: enviei o curriculum vitae, a carta de motivação e as cartas de recomendação
Terça-feira, 14/04: enviei e-mail a solicitar ponto de situação relativamente ao processo de recrutamento
Sexta-feira, 01/05: ligaram de um número que não conhecia ao final do dia [liguei de volta mais tarde, ninguém atendeu, mas descobri de onde era]
Segunda-feira, 04/05: liguei e marcámos entrevista para quarta-feira, 06/05
Terça-feira, 05/05: enviaram e-mail a desmarcar a entrevista [tentaram ligar mas eu estava sem rede]
Sábado, 23/05: ligaram para marcar entrevista para 27/05. Disse que não podia pois estaria de férias nos Açores
Quarta-feira, 27/05: enviaram-me SMS e marcámos a entrevista para terça-feira, 02/06
Terça-feira, 02/06: fui à primeira entrevista
Terça-feira, 16/06: enviei e-mail a solicitar ponto de situação relativamente ao processo de recrutamento
Quarta-feira, 17/06: enviaram e-mail a dizer que ainda não tinham novidades
Sábado, 27/06: enviaram e-mail a dizer que tinha passado à próxima fase [encontrava-me entre os três melhores candidatos]. Propuseram entrevista para terça-feira, 30/06. Disse que não era possível e sugeri que a entrevista fosse a 29/06
Segunda-feira, 29/06: ligaram e marcámos entrevista para quinta-feira, 02/07
Quinta-feira, 02/07: fui à segunda entrevista
Quarta-feira, 22/07: liguei a perguntar ponto de situação e disseram que iam tentar ter uma decisão tomada até ao final da semana
Domingo, 26/07: enviaram e-mail a dizer que ainda não tinha sido possível fechar o processo de selecção
Agora percebem o desespero, certo?
Calendário do advento:
Segunda-feira, 30/03: enviei o curriculum vitae, a carta de motivação e as cartas de recomendação
Terça-feira, 14/04: enviei e-mail a solicitar ponto de situação relativamente ao processo de recrutamento
Sexta-feira, 01/05: ligaram de um número que não conhecia ao final do dia [liguei de volta mais tarde, ninguém atendeu, mas descobri de onde era]
Segunda-feira, 04/05: liguei e marcámos entrevista para quarta-feira, 06/05
Terça-feira, 05/05: enviaram e-mail a desmarcar a entrevista [tentaram ligar mas eu estava sem rede]
Sábado, 23/05: ligaram para marcar entrevista para 27/05. Disse que não podia pois estaria de férias nos Açores
Quarta-feira, 27/05: enviaram-me SMS e marcámos a entrevista para terça-feira, 02/06
Terça-feira, 02/06: fui à primeira entrevista
Terça-feira, 16/06: enviei e-mail a solicitar ponto de situação relativamente ao processo de recrutamento
Quarta-feira, 17/06: enviaram e-mail a dizer que ainda não tinham novidades
Sábado, 27/06: enviaram e-mail a dizer que tinha passado à próxima fase [encontrava-me entre os três melhores candidatos]. Propuseram entrevista para terça-feira, 30/06. Disse que não era possível e sugeri que a entrevista fosse a 29/06
Segunda-feira, 29/06: ligaram e marcámos entrevista para quinta-feira, 02/07
Quinta-feira, 02/07: fui à segunda entrevista
Quarta-feira, 22/07: liguei a perguntar ponto de situação e disseram que iam tentar ter uma decisão tomada até ao final da semana
Domingo, 26/07: enviaram e-mail a dizer que ainda não tinha sido possível fechar o processo de selecção
Agora percebem o desespero, certo?
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Considerações de uma quarta-feira como outra qualquer
A S. ligou-me no fim-de-semana passado com duas bombas: está grávida novamente e vem viver para Lisboa no fim do ano. E eu que achava que casar, ir de lua-de-mel, e terminar um mestrado tudo de seguida era viver no fio da navalha.
Faz amanhã um mês que comecei a fazer dieta e, segundo a traidora da minha balança, não perdi nem um quilo. Acho que nem quinhentas gramas. A sério, como é que é possível? Tirando a asneira no outro dia em casa da M. e do J. [já sabia que me ia meter na boca do lobo] e de uns quantos descontrolos no passado fim-de-semana em Acobaça [mesmo assim não bebi refrigerantes!], tenho passado uma fome desgraçada! Acresce ao meu sofrimento o facto de o E. passar a vida a comer gelado e amendoins ao pé de mim. Vou voltar para a Capitão, está decidido. E se ela não conseguir que eu perca pelo menos cinco quilos... God help me.
Começo a acreditar que o telefonema pelo qual aguardo há... já nem sei quanto tempo [se começar a fazer contas, desespero] nunca vai chegar. Parece que os e-mails, os telefonemas, as entrevistas, os press releases... nada disso aconteceu nesta vida mas numa outra qualquer, há muito muito tempo, da qual tenho apenas uma vaga memória. Parece que foi um delírio meu, que foi tudo fantasiado por mim. Ou então como quando se conta uma mentira tantas vezes que se chega a acreditar nela. Acho que até já perdi a esperança que me queiram. Já só quero que me dêem o golpe da misericórdia para que eu me liberte e consiga perseguir outra oferta de emprego com igual afinco.
Faz amanhã um mês que comecei a fazer dieta e, segundo a traidora da minha balança, não perdi nem um quilo. Acho que nem quinhentas gramas. A sério, como é que é possível? Tirando a asneira no outro dia em casa da M. e do J. [já sabia que me ia meter na boca do lobo] e de uns quantos descontrolos no passado fim-de-semana em Acobaça [mesmo assim não bebi refrigerantes!], tenho passado uma fome desgraçada! Acresce ao meu sofrimento o facto de o E. passar a vida a comer gelado e amendoins ao pé de mim. Vou voltar para a Capitão, está decidido. E se ela não conseguir que eu perca pelo menos cinco quilos... God help me.
Começo a acreditar que o telefonema pelo qual aguardo há... já nem sei quanto tempo [se começar a fazer contas, desespero] nunca vai chegar. Parece que os e-mails, os telefonemas, as entrevistas, os press releases... nada disso aconteceu nesta vida mas numa outra qualquer, há muito muito tempo, da qual tenho apenas uma vaga memória. Parece que foi um delírio meu, que foi tudo fantasiado por mim. Ou então como quando se conta uma mentira tantas vezes que se chega a acreditar nela. Acho que até já perdi a esperança que me queiram. Já só quero que me dêem o golpe da misericórdia para que eu me liberte e consiga perseguir outra oferta de emprego com igual afinco.
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