Antes de irmos para São Miguel adquiri, na H&M, uns sapatos lindos de morrer. É verdade que eram bem altos mas tinham tudo para dar certo: de cortiça [leves, portanto], com salto compensado [prometiam ser estáveis] e com fivelas de tecido [daquelas que aparentam não magoar o peito do pé].
Resolvi estreá-los este fim-de-semana numa saída a Cascais. Sad, sad, sad. Ainda estava bem quando chegámos ao restaurante mas a meio do jantar comecei a sentir os pés quentes. Aquele quente como se estivessem infectados. Mas alguém compreende isto?
Tudo o que aconteceu a seguir ao jantar está um pouco turvo na minha memória devido às dores que os sapatos me infligiram. A malta só queria andar. Porquê?! Os meus pés naqueles sapatos estavam certamente associados a um algoritmo infernal qualquer que envolvia tanto distância [número de passos dados] como tempo [número de minutos com os sapatos calçados].
Era certinho que estava com um [and]ar sofrido pois perdi a conta ao número de vezes que o E. e a M. me perguntaram "estão-te a doer os pés?" ou "estás bem?". Num esforço histoico, disse sempre que estava tudo bem enquanto me concentrava nas agulhas que se espetavam nas plantas dos pés a cada passo naquela dolorosa caminhada nocturna. Naquela noite eu fui Jesus Cristo na Via Latina. Quando cheguei a casa da M. já estava de chinelos [tinha-os no carro para conduzir] mas os estragos já estavam feitos. Parece que o quarto de hóspedes ganhou dois novos objectos decorativos...

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