Andávamos há meses a namorar o candeeiro. Normalmente até temos gostos distintos mas quis o destino unir-nos nesta paixão improvável pela Art Nouveau! Felizmente, o sítio onde o colocar também era óbvio para os dois: em cima da sapateira, no hall de entrada.
Numa dessas tardes de sábado em que normalmente percorremos quilómetros e quilómetros em lojas mas não compramos nada porque:
#1 não nos apetece gastar dinheiro
#2 nenhum dos dois quer tomar decisões
#3 "pode aparecer um/a mais barato/a"
#4 "pode aparecer um/a mais giro/a"
(e onde pagamos sempre um balúrdio de estacionamento no Colombo) encontrámo-lo paciente, à nossa espera n'A Loja do Gato Preto, por metade do preço. Nesse dia veio connosco. Não nos arrependemos!
Numa das muitas incursões à zona dos candeeiros, fiquei com um outro debaixo de olho, em forma de tartaruga. Sim, tartaruga. Ficou tudo muito espantado porque, afinal de contas, "tu gostas é de mochos". E lá porque gosto de mochos não posso também gostar de tartarugas? Olhem-me esta!
A verdade é que não descansei enquanto o candeeiro da tartaruga não foi meu. Pedi-o ao E. nos anos e recebi-o. Fiz questão de estar presente no acto da compra, já que queria um sem defeitos e queria escolher as cores (eles são todos diferentes, não é maravilhoso?).
Houve quem ousasse desafiar-me, dizendo que o candeeiro não era uma tartaruga mas sim um cágado (e ainda estou para descobrir se a ausência de acento era propositada). Tive inclusivamente direito a envio de fotos demonstrativas da diferença entre uma tartaruga e um cágado. Para mim é uma tartaruga e não estou aberta a negociações.
Mais tarde, ao telefone, a D. disse-me que chamava a este tipo de prendas as "prendas envenenadas": prendas que não são bem para nós, que acabam por ser é para a casa. Mas o meu candeeiro tartaruga não é nada envenenado. Não é para a casa, é só para mim, é só meu. My precious.

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